"Sou um estrangeiro, e há na vida do estrangeiro uma solidão pesada e um isolamento doloroso. Sou assim levado a pensar sempre numa pátria encantada que não conheço, e a sonhar com os sortilégios de uma terra longínqua que nunca visitei.


Sou um estrangeiro para meus parentes e amigos. Quando encontro um deles, penso: "Quem é ele? Onde o encontrei? Que me une a ele? Por que me aproximo dele e o freqüento?"

Sou um estrangeiro para minha alma. Quando minha língua fala, meu ouvido estranha-lhe a voz. Quando meu eu interior ri ou chora, ou se entusiasma, ou treme, meu outro eu estranha o que ouve e vê, e minha alma interroga minha alma. Mas permaneço desconhecido e oculto, velado pelo nevoeiro, envolto no silêncio.

Sou um estrangeiro para o meu corpo. Todas as vezes que me olho num espelho, vejo no meu rosto algo que minha alma não sente, e percebo nos meus olhos algo que minhas profundezas não reconhecem.

Sou um estrangeiro, e já percorri o mundo do Oriente ao Ocidente sem encontrar minha terra natal, nem quem me conheça ou se lembre de mim. Sou um estrangeiro, e não há no mundo quem conheça uma única palavra do idioma da minha alma.

Sou um estrangeiro neste mundo."

Um desenho para simplificar as coisas:
adora humanas + formada em exatas = JU


2 comentários:

jhulyjohns disse...

O texto do estrangeiro foi escrito por Gibran Khalil em Temporais.

Anita Fonseca disse...

Gostei do seu blog, muito criativo.
Adoro tudo que vem de Gibran Khalil.

Bom domingo.

Bjs.